O Mistério de Percy Fawcett e a Cidade Perdida de "Z"

Muitos conhecem as histórias de Indiana Jones ou já ouviram falar de "O Mundo Perdido", de Sir Arthur Conan Doyle.
O que poucos sabem é que essas grandes obras de aventura foram inspiradas em uma figura real e intrigante: o coronel britânico Percy Harrison Fawcett.Nascido em 1867, Fawcett herdou do pai o interesse pela geografia e pela exploração.
Após uma sólida carreira militar na Artilharia Real britânica e trabalhos para o Serviço Secreto, sua vida mudou drasticamente em 1906, quando foi enviado pela Royal Geographical Society (RGS) para mapear as fronteiras entre o Brasil e a Bolívia.

Ele desapareceu ao organizar uma expedição para procurar por uma civilização perdida na Serra do Roncador, Xingu, no estado do Mato Grosso, Brasil.
"A Serra do Roncador é uma área muito valorizada pelos seguidores de seitas místicas.Foi nesse local que, procurando por ruínas da cidade perdida de "Atlântida", o coronel Percy Fawcett desapareceu misteriosamente, dando origem a muitas lendas.Acredita-se que seres evoluídos possuam cidades subterrâneas cujas entradas ficam escondidas no meio da serra".
A Obsessão pela Amazônia
Essa primeira incursão na selva sul-americana despertou em Fawcett uma obsessão vitalícia.
Fascinado pelos mistérios da floresta, pelos relatos históricos e por lendas locais, ele desenvolveu uma teoria audaciosa: a de que a Amazônia escondia os vestígios de uma civilização antiga extremamente avançada.
Ele batizou essa metrópole hipotética de "Cidade Perdida de Z".
Sua busca ganhou ainda mais força devido ao "Manuscrito 512", um documento do século XVIII guardado na Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro.
Escrito por um bandeirante português, o texto detalhava a descoberta de uma majestosa cidade em ruínas com templos e arcos de pedra no sertão brasileiro — embora sem revelar a localização exata.
Há três publicações biográficas do coronel Fawcett: O Enigma do Coronel Fawcett - o verdadeiro Indiana Jones, do escritor Hermes Leal e publicado pela Geração Editorial em 2007.
A Expedição Fawcett em busca da cidade perdida de Z do escritor Luis Alexandre Franco Gonçales, publicado e editado pelo autor em 2016 e Z: A Cidade Perdida, do escritor norte-americano David Grann e publicado pela Companhia das Letras em 2009.
Em abril de 1925, após anos de planejamento e tentativas anteriores interrompidas até pela Primeira Guerra Mundial, Fawcett partiu para aquela que seria sua jornada final.
Ele não queria grandes equipes; preferiu um grupo pequeno e ágil, composto apenas por ele, seu filho mais velho, Jack, e o amigo de Jack, Raleigh Rimell.
O grupo avançou rumo ao Mato Grosso profundo.
Em maio de 1925, após cruzar o Rio Xingu, Fawcett enviou uma última carta à sua esposa de um ponto que batizou de "Acampamento do Cavalo Morto".
A partir daquele momento, ele dispensou os guias locais e o trio adentrou o território inexplorado.
Depois disso, o silêncio foi absoluto. Nenhum dos três jamais retornou.
Destino Incerto: O que Aconteceu?
O desaparecimento de Fawcett deu origem a buscas incessantes e a inúmeras teorias que duram até hoje:
Ataque Indígena: Uma das hipóteses mais aceitas é que o grupo tenha sido morto por tribos locais, como os Kalapalo, que na época defendiam seu território de invasores.
Fome e Doenças: O antropólogo alemão Max Schmidt e outros pesquisadores da época apontaram que, sem guias e enfrentando um ambiente extremamente hostil repleto de insetos e febres tropicais, o grupo provavelmente se perdeu e sucumbiu à exaustão e à fome.
A Pista da Bússola: A única prova material concreta de Fawcett recuperada após o sumiço foi sua bússola de metal, encontrada anos depois e hoje preservada no museu de Torquay, na Inglaterra.

Durante as décadas seguintes, foram organizadas várias expedições de resgate, porém nenhuma obteve resultado positivo.
Tudo o que conseguiram foram coletar histórias dos nativos.
Alguns disseram que eles foram mortos por animais selvagens que os atacaram.
Ouviram também algumas versões mais fantásticas dentre as quais destacam-se a história de que Fawcett teria perdido sua memória e estaria vivendo como chefe de uma tribo de canibais ou de que eles realmente encontraram a cidade perdida no sul do estado do Pará, mas foram impedidos de retornar para manter o segredo da existência de tal local.
Ao todo, cerca de 100 exploradores morreram tentando procurar pelos membros da expedição de Fawcett.
Três expedições de resgate também desapareceram na mesma região, que continua praticamente inexplorada até os dias atuais.
O Legado e a Ciência Moderna
Embora Fawcett tenha sido visto por muitos cientistas de sua época como um sonhador obstinado, a arqueologia moderna começou a lhe dar alguma razão.
Descobertas recentes na bacia amazônica, como o complexo arqueológico de Kuhikugu no Alto Xingu, revelaram valas, estradas antigas e fortificações que provam que a região de fato abrigou populações grandes, organizadas e complexas no período pré-colombiano.
Fawcett pode não ter encontrado os templos de pedra que imaginava, mas provou estar certo ao desafiar a ideia de que a Amazônia era apenas um "inferno verde" desabitado.
Sua jornada permanece como um dos maiores e mais cativantes mistérios da era de ouro das explorações.








